© 2016 Pistache Editorial

Posts em destaque

1 dia, 3 casas: um passeio pelas obras do Casacadabra

 

Este post foi escrito por Fernanda Franklin, mãe da leitora Júlia. As duas visitaram as três obras paulistanas presentes no "Casacadabra: invenções para morar" em um só dia em São Paulo.

 

Acompanhem a aventura das duas:

 

 

“Mãe, já está na hora de acordar?”

 

Eram 6h15 da manhã, e meu cuco particular apitava quase uma hora antes do já madrugador horário das 7. Um sábado. Mamãe e filhota, de cinco-quase-seis anos, haviam programado uma aventura. Acordamos, nos arrumamos e partimos.

 

Quem tem dois ou mais filhos deve conhecer a sensação de alívio ao conseguir dar atenção exclusiva a apenas um deles. Foi este o nosso caso: eu e Júlia havíamos combinado um dia só nosso, para conhecer as três obras arquitetônicas paulistanas do “Casacadabra – Invenções para Morar”. E mais: o passeio seria todo feito por transporte público.

 

O primeiro ponto, literalmente, foi na rua ao lado de casa. Dali, ônibus até o trem, na estação São Caetano do Sul. Então metrô, baldeação, caminhada e o primeiro destino: Edifício Copan.

 

No percurso do metrô República ao Copan, moradores de rua dormiam, outros balbuciavam palavras sem nexo e um ou outro pedia dinheiro. A arquitetura orgânica e seu entorno. E então nos deparamos com o Copan, imponente. Caminhamos um pouco no térreo do prédio, que abriga pontos comerciais. Observamos sua beleza. Da rua, a Júlia olhava para o céu, para aqueles andares infinitos e suas curvas ao vento.

 

Quando sentamos para o nosso café da manhã na Padaria Santa Efigênia, no térreo do prédio, Júlia não perguntou sobre as pessoas pelo caminho, talvez porque infelizmente já tenha visto a cena diversas outras vezes, mas aproveitei para falar um pouco sobre a tristeza e a injustiça de tanta gente não ter lugar para morar. Ela concordou. Falamos mais sobre a imponência do Copan, a ideia bacana de misturar comércio e moradia. Quando o achocolatado e o pão na chapa chegaram à mesa, começamos a planejar o próximo destino.

 

Segunda parada: Casa de Vidro. Na saída do metrô Faria Lima, o vento canalizado parecia fazer a Júlia flutuar. Fiquei olhando-a por trás, desejando que suas asas nunca se fechem… Mais ônibus, dessa vez até o Morumbi. Filhota com olhar curioso para as paisagens que passavam rápidas pela janela. Pegou um celular antigo que costumo carregar na bolsa, fez vídeos e fotos do caminho. Estava empolgada, mas a espera pela visita guiada na casa que foi de Lina Bo Bardi a fez resmungar. Sim, crianças são crianças – e, no fim, apenas expressam de forma mais contundente as frustrações que nos atingem a todos. Passamos o tempo olhando o ladrilho da rampa de acesso da garagem e a exuberante mata ao redor.

Quando a visita começou, minha atenção se dividia entre as interessantes histórias contadas pelo educador e a Júlia, que não queria ouvir as explicações, mas andava com olhos atentos e curiosos. Ela não queria seguir os passos traçados pelo passeio guiado. Preferiu observar algumas esculturas mais de perto, verificar fotos espalhadas pela mesa da sala e perguntar sobre objetos que a deixaram curiosa, como um incinerador de lixo e eletrodomésticos de época. Na área externa, ficou feliz subindo degraus de pedra e desbravando parte do jardim. Era o seu jeito de conhecer a casa.

 

 Nosso terceiro e último destino arquitetônico foi a Casa Bola. Como o imóvel não é aberto à visitação, olhamos sua fachada da rua. Júlia mascava o chiclete que acabáramos de comprar em uma banca de revistas. Na Faria Lima, a porta de uma loja trazia uma foto aérea da Casa Bola, em outros tempos, pintada de azul turquesa e amarelo. Os olhos curiosos da pequena se fixaram no enorme escorregador. Ah, ela gostaria taaaaaanto de escorregar nele!

 

O plano era almoçarmos no restaurante do Museu da Casa Brasileira. Mas apesar do horário – já passava das 14h –, estava lotado. Fomos, então, a um restaurante japonês no shopping Eldorado. Quando descobriu que iríamos comer no “japa da esteirinha”, Jujuca deu pulos de alegria. Depois da barriga cheia, ainda demos uma volta numa roda gigante que nos surpreendeu na saída, no estacionamento do shopping.

 

A viagem foi feita inteirinha com transporte público :-) 

 

No retorno para casa, cansaço e satisfação, de ambos os lados. Júlia quase dormiu no ônibus. Chegamos em casa após quase dez horas da partida, prontas para novas aventuras. Que venham as cidades para brincar!

 

 

Please reload

O que um urbanista faz: como explicar para crianças de 5 anos

March 15, 2016

1/1
Please reload

Posts recentes
Please reload

Arquivo
Please reload

Procurar por tags