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Como usar o Casacadabra na sala de aula: maquetes, pinturas e discussão sobre arquitetura

Conversamos com Alessandra Rodrigues, educadora que trabalha no Rio de Janeiro, para conhecer as atividades que seus alunos fizeram inspirados no Casacadabra.

Tudo começou em 2016, quando o tema de discussão em sua turma eram as Olimpíadas – mas as conversas, aos poucos, saíram do campo esportivo e partiram para as culturas em diferentes países. “Quando chegamos às pesquisas sobre o Japão, eu me lembrei do projeto da Casa NA, apresentado no Casacadabra. Levei para a turma e foi um sucesso na roda de leitura”, lembra. “A empolgação foi tanta, que fizemos pequenas maquetes com palitos de sorvete”.

Alessandra ganhou o Casacadabra de seu marido, o arquiteto Francisco Lenilson, que apoiou o livro durante o financiamento coletivo. “Foi ele quem fez a colaboração no financiamento, mas meu nome é que aparece nos agradecimentos do livro”, conta.

Conversamos com ela para saber como foi o uso do livro em sala de aula. Confira abaixo a entrevista.

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Como o livro te inspirou para ser usado em sala de aula?

Em 2016, trabalhava com crianças de 6 e 7 anos sobre as Olimpíadas. Quando chegamos às pesquisas sobre o Japão, eu me lembrei do projeto da Casa NA, apresentado no Casacadabra. Levei para a turma e foi um sucesso na roda de leitura. A empolgação foi tanta, que fizemos pequenas maquetes com palitos de sorvete.

Você usa o livro em turmas de diferentes idades?

Esse ano estou com uma turma de 8 e 9 anos. No início, busquei levantar o interesse do grupo e percebi que a turma adorava brincar de faz de conta. Fingiam estar em restaurantes, faziam compras e vendas, eram professoras e professores, etc. Para enriquecer a brincadeira, propus que construíssemos, com grandes caixas de papelão, alguns dos lugares onde esses profissionais trabalham. As crianças ficaram empolgadas com a ideia da construção. Foi nesse momento que mais uma vez me lembrei do Casacadabra. Apostei que a turma iria gostar e deu certo.

Como foi o processo de usar o livro para as atividades?

A ideia é que as próprias crianças ajudem a pensar em atividades. Acreditamos que quando elas expressam suas opiniões e ideias, o envolvimento nas ações e as aprendizagens são mais significativas.

Antes de apresentar o livro, por exemplo, perguntei às crianças como era o formato da maioria das casas que elas conheciam. Responderam que eram quadradas ou retangulares. Então, em tom de suspense eu disse: “E se eu disser que existe uma casa redonda, parecendo uma bola. É uma casa de verdade verdadeira, não é uma casa de história. Vocês acreditariam em mim?”. Ouvi muitos: “Não, não acredito Prô”. Então mostrei as páginas do livro referentes à “Casa Bola”.

Construção de maquetes da Casa Bola durante a aula de Alessandra

Questionei quem adivinharia em que lugar a casa estava construída, as respostas foram Europa, Japão, Estados Unidos. Quando eu disse que a casa ficava aqui mesmo no Brasil uma criança arriscou empolgada: “Fica aqui em Madureira!”. Depois de ouvir mais algumas suposições cheias de imaginação, fiz a leitura do livro sobre o arquiteto Eduardo Longo que realizou o projeto da Casa Bola, localizada na cidade de São Paulo. Também apresentei fotos reais da casa. No livro temos belas ilustrações da Carolina Hernandes, que as crianças adoram representar. Mas as imagens reais causaram impacto, foi cada: “Uauuu”, Que maneiro”, “Nosssaaa”, “Eu queria morar nessa casa”.

Como foi o processo de construção da maquete da Casa Bola?

Após a apresentação das fotos e do livro, perguntei se alguém saberia me dizer o que precisaríamos se fôssemos construir uma Casa Bola. Adrielly, 9 anos, disse: “Metal, mas, não pode ser aquele metal reto, se não a casa vai ficar reta”. João, 8 anos, acrescentou: “Tem que ser um metal redondo”. Adrielly retoma: “É isso. Aí precisa de prego e martelo pra martelar. E eu acho que vai demorar uns cinco anos”. Eu rebati que essas ideias eram boas para a construção de uma casa grande. Mas, e se fizéssemos uma casa pequena, como uma maquete? O que poderíamos usar? Kamilly, 9 anos, arriscou: “Sabe igual aqueles globos, parece a casa, mas eles são cheios dos países”. E foi pensando nessa ideia que chegamos à primeira sugestão de atividade.

Escalas e medições fizeram parte das aulas de arquitetura para crianças

Que atividades foram realizadas?

Após as sugestões um tanto mirabolantes, pensei que poderíamos confeccionar a estrutura para representar a Casa Boa com balão (bexiga) e barbante. A técnica era passar o barbante na cola e envolver todo o balão com o barbante, depois o balão seria estourado e teríamos uma estrutura que lembraria uma estrutura metálica, como a utilizada na construção da Casa Bola. As crianças participaram da oficina com entusiasmo. Porém, a atividade não deu certo: o balão murchou e puxou os barbantes. Ficamos um pouco desapontados.

Na roda de conversa, expliquei que tentativa e erro fazem parte de todo processo de criação. O que não podemos é desistir diante do primeiro obstáculo. Reanimados, partimos pra segunda tentativa, dessa vez, não faríamos tão próximo da estrutura metálica, como buscamos simular com o barbante. Fizemos uma técnica parecida com a de papel machê, envolvendo o balão com pedaços de jornal. Essa técnica é muito usada por escolas, para confecção de planetas, a probabilidade de dar certo era bem maior. E funcionou.

Como foi o envolvimento das crianças na construção?

Foi ótimo. Levou-me a refletir que na infância parece não existir uma preocupação com resultados finais. As crianças estavam ali, entregues ao momento, contentes por estarem com a mão na massa, por estarem manipulando materiais diferentes, tentando fazer algo que gostaram. Em nenhum momento demonstraram preocupação com o fracasso da primeira tentativa, não pareciam pensar “será que agora vai dar certo?”. Acredito que apenas eu tenha tido esse pensamento, as crianças se entregam. Aprendemos muitas coisas trabalhando com crianças, nesse dia aprendi a viver o momento, ser feliz com as tentativas e não temer algo novo.

Você relaciona a arquitetura com outras aprendizagens?

Sim. Depois de finalizadas as estruturas para nossa casa bola, por exemplo, iniciamos o planejamento para as confecções dos elementos internos. Para inspirar as confecções de móveis e objetos, mostramos o trabalho de designers. Os primeiros foram brasileiros Fernando e Humberto Campana, que têm uma linguagem lúdica, fizeram sucesso com as crianças. Inspirados, utilizamos várias embalagens, como caixinhas de creme dental, tampinhas, pratos de isopor, e papelão, muito papelão.

Durante as produções, percebi certa dificuldade das crianças em pensarem seus móveis e objetos em uma escala menor. Busquei, então, brincadeiras e atividades que trabalhassem com noções de medidas/tamanho. Primeiro utilizando as medidas corporais: polegar, palmo, braça, jarda, etc. Foi um dia de medição divertido, por todos os cantos da sala.

Qual a relação dos alunos com o Casacadabra? Outras casas chamaram atenção deles?

O livro fica sempre fica à disposição da turma e, ao folhearem o Casacadabra, eles viram a Casa NA. Foi impossível resistirem à comparação de uma casa com um trepa-trepa, ou com a concepção de casa vitrine. Em roda de conversa, discutimos como poderíamos trabalhar nas maquetes inspiradas nessa diferente construção.

Depois das estruturas montadas, utilizamos pedaços de papel gelatina para confeccionar os tetos e o piso de algumas casas que ganharam dois andares. Em seguida, mais uma vez com o objetivo de ampliar o repertório imagético e inspirar a confecção dos móveis e de objetos, apresentei Karim Rashin.

Como foi a recepção dos alunos para o tema "arquitetura"? Quais as principais curiosidades e questões levantadas por eles?

As crianças são curiosas, e dessa curiosidade nasce a vontade de fazer coisas. Um arquiteto, como algumas crianças dizem, é “uma pessoa que constrói coisas”. A recepção foi boa principalmente porque elas perceberam que é algo que elas poderiam experimentar na prática. Conversamos sobre qual curso a pessoa precisa fazer para trabalhar com arquitetura. Quando tempo de estudo. Do que precisa gostar, as habilidades que serão desenvolvidas e/ou ampliadas. Sinto que preciso trazer um profissional para conversar com a turma e melhorar essas elucidações. Está no meu planejamento.

Colagens inspiradas na Casa Batlló, um dos projetos apresentados no Casacadabra

Após o recesso do meio do ano, eu perguntei à turma se teriam sugestões de novos temas para pesquisarmos. Fiquei muito surpresa pois algumas crianças mantiveram o interesse na arquitetura. Correram para o Casacadabra e escolheram saber mais sobre a Casa Batlló e a Casa Grelha. Confesso que fiquei um pouco preocupada, pois fazer tantas maquetes é extremamente trabalhoso. Discutimos essa preocupação em roda de conversa e decidimos que as representações dessa vez poderiam ser com pinturas.

Para representar a Casa Batlló, utilizamos papelão onde desenharam apenas a fachada da casa. Com direito às janelas vazadas com celofanes para representar os vitrais e a decoração de fora com a técnica de mosaico. Ficaram lindas. A Casa Grelha, por sua vez, foi representada em uma grande pintura feita em duplas e trios. Com direito a colagem para simular o teto verde, gravetos, palitos e canudos para simular as estruturas.

Estamos planejando uma exposição para apresentarmos todas essas atividades. Ocorrerá em outubro. A ideia é que as próprias crianças guiem os visitantes e expliquem sobre a exposição. Também teremos oficinas onde os visitantes poderão confeccionar minimóveis com matérias reutilizáveis.

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